Vamos falar um pouco da crise que assola o Brasil. Apesar da paralisia da economia atrelada à falta de investimentos e do cenário negativo e indefinido que atinge todas as áreas produtivas do Brasil, vou ater-me apenas à minha área, que é a construção civil.
Todos os empresários deste segmento estão refazendo as contas mensalmente e tentando encontrar estratégias para driblar os custos operacionais que se destacam significantemente nas planilhas de fluxo de caixa das empresas.
Depois de buscar uma engenharia nos cortes de pessoal na tentativa de não deixar as empresas pararem, os percentuais de custos indiretos fixos e o com pessoal remanescente tem distorcido qualquer parâmetro histórico que a boa gestão nos permeava a até pouco tempo atrás.
Não vou entrar aqui na divulgação de percentuais, pois cada empresa trabalha com uma margem diante da sua estrutura organizacional. Mas se observarmos e compararmos o custo de cada departamento de apoio em relação à receita recebida durante os últimos cinco anos constatamos uma atual crise de custos sem precedentes vinculada à difícil tarefa de equilibrar os resultados e/ou de conseguir alternativas para manter a sobrevivência.
Ao observarmos a receita caindo e os custos se elevando toda e qualquer empresa mira na tentativa de responder à inexorável questão “ate quando vamos conseguir administrar estes resultados?”.
Pergunta difícil e sem resposta objetiva. Nisso, todos vão experimentando estratégias na tentativa de manter as empresas na sombra do equilíbrio, mas muitas vão seguindo abaixo disso e com tendência a afundarem ainda mais, infelizmente.
Estamos vivendo um cenário político indefinido e bilateral no qual alguns enfatizam que o processo de impeachment presidencial é ilegal, caracterizado como golpe, enquanto outros sustentam sua legalidade diante do estado democrático que rege o país. Mas nós não temos hoje um único representante que consiga diante deste cenário de inércia política conduzir qualquer estratégia de retomada da economia para os próximos quatro anos.
É isso mesmo: se tudo der certo é possível começarmos a conseguir algum resultado real em meados de 2020. Quem tiver “sangue” (ou conseguir transfusões) até lá conseguirá sobreviver neste país de política corrupta, regido e conduzido pelos interesses próprios de representantes cujos vencimentos e aditivos (uma metáfora sarcástica) são recebidos mensamente sem qualquer preocupação com a origem de tanto dinheiro necessário para cobrir a remuneração absurda que recebem. Mas isso é um outro assunto.Deixo aqui a grande dúvida para todo empresário digno de nossa sociedade: como (e o que fazer para) administrar a crise nos custos fixos do nosso país mergulhado na lama política e na crise econômica?